Foram os círculos das paixões vividas, dos desejos frustrados, dos sonhos de adolescentes, das raízes e dos amores perdidos, desenhados num bombardear sangrento de vida do escritor Paulo Caldas que me fizeram vir hoje aqui, expurgar todo o impacto de um livro que, apesar da sabida qualidade da sua escrita, surpreende pela explosão que eu não conhecia.

Talvez tenha sentido no livro Círculo Amoroso & outros poemas um pouco de mim, ou muito, quem sabe? Em INFINITO, me vejo, “Espelhos que se miram face a face/Somos seres infinitos refletidos/Corpos, almas, sentimentos,/Sem presente, sem fim, sem começo”. Sinto assim o tempo em que vivemos, que não sabemos onde começou e muito menos o destino. E como qualifiquei tantos dias os versos como INÚTEIS, numa solidão fraquejada rodeada de gente. E é nele que Paulo diz: “Versos na flor da pele/Presos à epiderme/São flores de maio/Perfumando solidão. Em DIAS OPACOS estou com ele: “Dias opacos/Acolhidos por nossos braços/E os bancos de praça por companhia/Quando o sol transpareceu manhãs/Lado a lado atravessamos dias/E por sombras protegidos fomos/ Atravessamos as estações da lua/Tantas vezes por ela espreitados/Às frestas da nossa porta/Quando o inverno cegado/No cio das chuvas/Do frio vento e seus zumbidos/Aquecidos fomos sob mantas de amor”. Ler  e sentir a força d’uma PAIXÃO MEDIEVAL pode ser tão marcante que o poema segue no teu juízo durante todo o dia, tamanha pulsação que nos leva junto como a sentir um sarrabulho onde a alma se deixa ir, sim, rasgando feras famintas, livre enfim das amarras da timidez! Nossa, são tantas as emoções que extrapolaram minhas expectativas em muito.

Ler os poemas de Paulo Caldas me fez perceber o quanto tenho a descobrir deste admirável escritor, versátil, criativo e intenso.

Uma obra que merece ser cascavilhada, pesquisada e degustada com o devido respeito e sensibilidade. Paulo Caldas, um ser pulsante. PARABÉNS!

Taciana Valença

 

SOBRE O AUTOR

Paulo Caldas nasceu no Recife. Iniciou sua carreira em 1980, com a versão de No tempo do nosso tempo, reunião de crônicas sobre a juventude nos anos 60, em parceria com o cronista Edvaldo Donato, com o selo das Edições Pirata. A partir de então, lançou Anatomia do baixa renda, crônicas bem humoradas sobre o cotidiano do cidadão dos subúrbios. Em seguida surgiu o desafio: preparar um texto para um lançamento de livros infantis.

Com receio de não se sair a contento, mas estimulado pelos amigos, escreveu uma história daquelas que se inventa pra menino dormir. E deu certo. Nascia Era uma vez um quintal na Semana da Criança em 1982. No ano seguinte veio Era uma vez na fazenda e assim a primeira fase da carreira ficou marcada como o tempo dos bichos humanizados, anti-heróis criados como antítese dos super-heróis.

Estava traçado o voo. Em 1985 lançou Asas pra que te quero?. Em 1988 publicava Esses bichos maravilhosos e suas incríveis aventuras, pela Editora Atual de São Paulo. E na sequência, República dos bichos (1994), Destino cidade (1993), Alma de artista (1994), O fascínio da caixa preta (1994), A tecla sigma (1995).

No terceiro momento, quando o amor se contrapões aos preconceitos, vieram Flores para Cecília (1996), relançado em 2013. As faces do escorpião (1997), A cor da pele (2001). O sol além da minha rua (2003), todos para o público adolescente.

Em 2005 chega ao público adulto com Um anjo chamado alegria. A Lua em sargitário, em 2007 e em 2009 lança Sob um céu de domingo, todos com o selo das Edições Bagaço. Em 2012 lança o romance Porto dos amantes, distinguido com menção honrosa do Prêmio Vânia Carvalho, pela Academia Pernambucana de Letras.

Do seu currículo literário constam ainda a publicação de Reflexões sobre a terceira idade (Edição do autor), em 1987 e em 1996 a segunda edição (revista, ampliada e ilustrada) de No tempo do nosso tempo uma volta aos anos 60.

Participou ainda de outras antologias de poesia e prosa, com destaque para Fauna e flora nos trópicos, pela Secrataria de Cultura do estado do Ceará, Pernambuco terra da poesia e Panorama do conto em Pernambuco, ambas publicadas pelo Instituto Maximiniano Campos-Editora escrituras, entre outras.

Participou durante dez anos da oficin de Criação Literária Raimundo Carrero. Ministrou oficinas na versão 2008 Fliporto, em 2009 na VII Bienal Internacional do Livro. Desde 2010 mantém oficina de criação literária formada por 20 outros escritores com aulas semanais realizadas no Clube Alemão de Pernambuco.

Em 2014 e 2015, a convite da Fundarpe, participou do Festival Pernambuco Nação Cultural, com workshops “Criação Literária” em Pesqueira, Arcoverde e Nazaré da Mata. É editor de Literatura do site da revista Algo Mais.

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