EXCELENTE INDICAÇÃO
Uma forte campanha de marketing foi criada para o lançamento de “Pequena Abelha” no Brasil, primeiro livro de Chris Cleave lançado no país. Tudo se limitava a um motivo que levaria o leitor a comprá-lo: o mistério em torno da trama. Os anúncios do lançamento e a contracapa do livro avisavam que pouco seria dito sobre a história. O objetivo era poupar o leitor dos spoilers e de qualquer informação que estragasse a ótima experiência que o romance trazia. Deu certo. Apesar de o livro não chegar à lista dos mais vendidos, basta ver que no Skoob – que recebeu vários anúncios dessa campanha – o livro teve muitos leitores, até mais do que alguns livros que estão na lista.

“Pequena Abelha” conta a história de duas mulheres bem diferentes. A primeira é uma jornalista britânica, mãe de um filho pequeno. A segunda é uma garota bem mais nova, nigeriana e que se refugiou na Inglaterra para escapar da guerra em seu país, após ver sua família massacrada. O livro é narrado em primeira pessoa por ambas, com os capítulos se revezando entre elas. A história começa deixando claro que elas já se conheceram, e a forma como isso aconteceu foi difícil. O mistério do livro está aí: as causas que levaram as duas a se encontrarem, a triste forma como isso aconteceu e as conseqüências de tudo isso.

Ao contrário do que imaginava, o tal mistério não é revelado no final do livro, e sim no meio. Enquanto o leitor fica perdido imaginando como a trama será conduzida a partir de então, já que o grande suspense terminou, o autor sabiamente coloca as duas personagens em uma luta para reparar os efeitos do dia fatídico. Sarah, a jornalista britânica, tenta desesperadamente corrigir seus erros e ajudar Pequena Abelha (nome da outra personagem, que dá origem ao título em português). Se contar mais do que isso, é possível que realmente a experiência proporcionada pela excelente obra de Cleave seja prejudicada.

Os pontos fracos do livro não são muitos, mas devem ser citados. Os capítulos narrados por Pequena Abelha são um pouco cansativos, principalmente o primeiro, que deixa o leitor totalmente perdido. Ela divaga em seus pensamentos e filosofa sobre coisas aparentemente sem sentido. Também não gostei da fala “errada” que o autor utilizou para a personagem Yevette, que, para piorar, fala bastante. Outro ponto que me incomodou foram os flashbacks. Não tenho nada contra eles, quando são bem utilizados.

Em “Pequena Abelha”, no entanto, apesar de não aparecerem com freqüência, quando o fazem são apenas enrolação. Servem para mostrar a vida das personagens antes do dia fatídico que as une, mas não mais do que isso. Não tem grande relação com a trama, então se tornam desnecessários. Se o leitor deseja conhecer mais as personagens (já muito bem construídas), então ótimo. Esses flashbacks, contudo, não estragam o livro. A leitura se desenrola bem, apesar deles.

“Pequena Abelha” é um comovente e emocionante livro sobre solidariedade, perdão, erros e egoísmo. Traz uma importante abordagem sobre os imigrantes ilegais, com uma visão crítica, e mostra como esse é um tema preocupante para o autor. Chris Cleave fez um ótimo romance que nós faz pensar sobre todos esses pontos, usando uma narrativa empolgante e uma história que continuará na cabeça após a última página.

Sobre o autor: Formado em administração aos 21 anos, o catarinense Lodir Negrini é um leitor compulsivo desde sempre, e um escritor desde os 14 anos. Escreve contos, crônicas e resenhas de tudo o que lê. Devora qualquer livro, mas prefere escrever sobre o cotidiano. Está atualmente finalizando seu primeiro romance. Pode ser encontrado no twitter @LodirNegrini e no blog Lodir Negrini.

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