A nossa Ponte d’Uchoa, recém destruída irresponsavelmente,  foi, em maio de 2009, destaque na capa da 6ª edição da revista Perto de Casa, trazendo, dentro da revista, texto de Taciana Valença sobre a mesma.

Eis aqui a reprodução do texto:

 

Ponte D’Uchoa (De Ontem e de hoje)

 

– Subam, por favor, a Maxambomba vai partir!

– Madame…, seu chapéu.

– Sentirão uns solavancos vez por outra, porém, neste agradável passeio, uma brisa suave poderá ser sentida, vinda do rio e do mangue, onde canoas seguem transportando passageiros para Olinda e povoados às margens dos rios.

– Recife hoje é um importante centro comercial, com potencial exportador concentrado na cana-de-açúcar e algodão. Esta locomotiva mirim que puxa o vagão em que estamos, veio impulsionar o desenvolvimento da cidade. O uso de cavalos e carruagens sai muito caro para a maioria da nossa população. Os senhores, que aqui estão, pagaram 400 réis, enquanto uma carruagem cobraria 1000 réis, vejam só. Além do mais, os caminhos alagadiços estão pedindo benfeitorias, assim como a água potável e iluminação. A população está crescendo rápido, já passamos de 75 mil habitantes!

– Para construir a estrada de ferro a cidade se modernizou, com a construção de duas grandes pontes de ferro e serviços de infraestrutura. Além do mais, a ferrovia está sendo muito útil para a elite local chegar às áreas de engenho.

– Vai descer, senhora?

– Sim, obrigada.

 

Desço e aqui deixo a maxambomba, tomando o ônibus que segue para o agora.

Trouxe comigo essa denominação que parece esquisita: “maxambomba”, mas que na realidade é uma corruptela da expressão inglesa “machine pump” (bomba mecânica), como acabou popularmente batizada.

Vale ressaltar que este foi o primeiro sistema de transporte urbano sobre trilho do país, inaugurado em janeiro de 1867. O Recife foi a primeira cidade da América Latina a dispor de transporte urbano por via férrea. A linha férrea ligava a Rua Formosa (hoje, Conde da Boa Vista) à então povoação de Apipucos.

A concessão foi dada pelo governo provincial em 1863 à firma inglesa Brazilian Street Railway Company Limited.

As locomotivas começaram com três carros, mas chegaram a puxar 1 deles. Até 1890, cada um carregava 28 pessoas – depois disso foi desenvolvido um novo modelo que dobrou a capacidade de passageiros.

O sucesso da maxambomba estimulou a concorrência de outras companhias de trilhos urbanos em rotas diferentes dentro do Recife e arredores e mexeu com o comércio. Antes de 1867 as lojas fechavam às 18 horas. Com o sol forte durante a maior parte do dia, as sinhazinhas preferiam fazer compras mais tarde e o comércio passou  fechar às 21 horas, último horário em que a ferrovia funcionava.

Com 22 quilômetro de trilhos e 20 estações, a maxambomba durou até 1914 – em alguns ramais ela só foi aposentada em 199. No lugar deles, ficaram os bondes elétricos.

Nossa capa é da antiga estação Ponte D’Uchoa, construída em 1865 pela empresa Trilhos Urbanos, hoje, apenas um monumento preservado e uma lembrança dos tempos das maxambombas…

O nome Ponte D’Uchoa tem relação com o senhor de engenho Antônio Borges Uchôa, do Engenho da Torre, que viveu no século XVII. Após a expulsão dos holandeses, em 1654, para permitir acesso à outra margem do Rio Capibaribe, onde moravam parentes seus, ele construiu uma ponte, que ficou conhecida como Ponte D’Uchoa, e assim ficou denominada a área adjacente à outra margem do rio que fazia ligação por pontes à sua propriedade.

A Maxambomba percorreu os trilhos do Recife até 1915.

Em 1916 a empresa Pernambuco Tramways & Power Company, detentora das linhas de bondes e de distribuição de eletricidade do recife, assumiu a estação.

Em 1968, quando já não havia bondes e por conta da transferência da distribuição de eletricidade para a Celpe – Companhia de Eletricidade de Pernambuco, o controle sobre a estação também mudou de mão.

Passou  ser uma parada de ônibus, até 2003, quando também essa parada foi transferida, para facilitar o trânsito local. O prédio da estação de Ponte D’Uchoa está inserido na Zona Especial de Preservação d Patrimônio Histórico, compondo o Sítio Histórico de Ponte D’Uchoa. Fica numa pequena praça, uma ilhota no Centro da Avenida Rui Barbosa, no limite entre bairros da Jaqueira e Graças.

Sua conservação é feita por uma empresa privada local, bem com a conservação da praça onde se localiza.

Situa-se em Ponte D’Uchoa, à margem do Rio Capibaribe, um do vários baobás existentes no Recife.

 

TEXTO E FOTO: Taciana Valença

INFORMAÇÕES: Fundação Joaquim Nabuco

 

Bem, espero que esse patrimônio seja rapidamente restaurado, não vamos deixar que mais um pedaço de nossa história se vá!

 

 

 

 

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