renascendo

 

Antes eu gostava de cães, agora eu gosto de gatos. Antes eu gostava de carros, agora eu gosto de motos. Antes eu gostava de jogar vídeo game, agora eu gosto de jogar xadrez. Antes, quando eu ainda era criança, eu achava que poderia comer biscoito recheado todos os dias. Agora, que eu já sou adulta, eu acho que posso comer barra de cereal todos os dias. Antes, quando eu ainda era criança, eu achava que poderia passar o dia inteiro no mar nadando. Pra quê voltar pra casa? Pra quê dormir? Agora eu acho que posso passar o dia inteiro na frente do computador. Pra quê olhar pro céu? Pra quê viver lá fora? Antes, eu achava que um casal só poderia ser um homem e uma mulher. Agora eu acho que um casal pode ser qualquer par que queira ser um. Antes eu achava que não conseguia estudar, agora eu acho que nunca mais vou parar de aprender.

Antes eu achava que queria ir a Paris. Agora eu acho que quero ir ao Japão. Antes eu achava que seria cientista. Agora eu acho que quero ser o que eu quiser. E o que será que eu quero ser? Será que eu quero ser jornalista? Bibliotecária? Ou será que eu posso ser mais do que uma profissão? Será que eu vou ser importante? Ou será que eu vou ser só mais uma pessoa no mundo? Mas eu acho que isso já é ser importante, senão não teriam gastado uma vida comigo (ops, acho que acabei jogando muito vídeo game…). Será que eu vou ter filhos? Ou será que eu vou ter gatos? Agora eu gosto deles então posso ter um.

Segundo o provérbio chinês, “o sábio pode mudar de opinião, o idiota nunca”. Então, ao menos sei que idiota eu não devo ser, porque cada dia sou uma diferente. Ainda bem que cada vez que eu acordo de manhã, encontro em mim uma nova “eu”. Seria muito cansativo ser “eu” todos os dias! É até divertido ter em mim várias “eus”. Imagina a cada novo dia, poder ter uma nova identidade ou uma nova vontade de buscá-la! E que essa busca eu nunca mate em mim! Vou buscar então um pouco de mim o tempo todo: em cada pessoa que eu encontrar, em cada ideia que eu trocar, em cada lugar que eu viajar, em cada livro que eu ler… No final, terei sido um monte de coisas. Terei sido um conjunto de tudo que já fui, de tudo que eu quis e tentei ser, e de tudo que os outros me fizeram ser.

 

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