pai e filho

 

Vez por outra um sentimento de impotência nos abate, diante do tempo e do destino, sobre o qual não temos domínio algum.
Tentamos colocar a vida no caminho devido, obedecemos as regras criadas pelos homens e por nós mesmos na tentativa do acerto. Então vem a vida e desacerta. Desejamos ter as rédeas dos filhos, da casa, da família, dos fatos e até atos alheios numa ilusão tão absurda que quando levamos uns tapas da realidade ficamos feito meninos perdidos: “como assim ?”
É que também somos um tanto crianças querendo que a vida seja sempre boazinha e se não for, algo ou alguém virá para nos salvar. Mas não é bem assim, não é mesmo? De repente os filhos não entenderam bem nossas mensagens, ou nem mesmo soubemos passar a eles, ou quem sabe, nós mesmos não aprendemos certos capítulos dos livros.
E foram tantos…
Então, como ensinar algo sobre o qual não aprendemos? Mas no íntimo estamos certos sobre nosso aprendizado e é isso que complica. A falta de humildade para etender que estamos em eterno processo de aprendizagem e que aprendemos a cada dia, com a própria vida, com aqueles com os quais temos que interagir na maior parte das horas e com o mundo, esse globo solto num Universo de incertezas.
Portanto, nesse último trimestre do ano (passou rápido demais!), desejo que todos tenham o peito mais aberto e humilde para que entendam que estão aqui para compor um mundo feito para melhorar a cada dia. Que o mundo não gira em torno das nossas famílias e que por isso mesmo devemos abrir os olhos para as coisas que acontecem diante de nós e que temos sim, muito a ver com isso. Temos a ver quando não olhamos nosso semelhante nos olhos, quando não os respeitamos , quando damos razão cegamente aos nossos filhos simplesmente por serem nossos filhos, quando tiramos o direito do outro de se defender, quando estacionamos em lugares proibidos, quando tiramos proveito de cargos para enriquecimento ilícito, quando ignoramos populações inteiras que sofrem de fome, de miséria. Temos a ver quando achamos que o mundo é isso, um “salve-se quem puder”, ignorando edando as costas à fragilidade alheia.

O país, junto com o mundo revela-se frágil. Um maremoto de barcos saculejantes e nós, tentando nos agarrar a alguma coisa para não sermos jogados ao mar, pois, por certo, a tempestade vai passar. Sim, para alguns a tempestade passa, graças a Deus, mas para outros a tempestade é um habitat natural, cruel e desumano.

Que as dificuldades nos sejam calços para podermos olhar o que está do outro lado desse muro que nos separa da realidade do mundo e de nós mesmos.

(Taciana Valença)

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