mercado 1

Parecia uma bagunça organizada, mas soava para mim como poesia.

Sentia-me fascinada por aquele mundo de coisas. Entre cachos de bananas, sacas de feijão, artesanatos e carnes penduradas, eu passava o rabo de olho numa roda de homens que jogavam cartas. 

Seguia minha mãe, que parava determinada em alguns boxes já conhecidos. Eu, não tendo muito a fazer, detinha-me no sorriso banguela do vendedor, nas vassouras enganchadas no teto, nos ovos e nas galinhas, cujos sangues vinham em saquinhos separados para a nossa famosa Galinha à Cabidela (meio macabro isso, né?).

 O colorido das frutas, os dedos sujos do senhor que consertava sapatos, a senhora robusta que vendia macaxeira, o sisudo que cortava as postas de peixes ao mesmo tempo em que expulsava os gatos da sua cola.  

Ôxe! Era muita coisa para ver ali!

Todo mundo que passava era Dona Maria, que era patroa de todos eles:

– Diga minha patroa, vai querer o que hoje?

Um mundo à parte: O MERCADO.

Em Recife podemos usufruir do Mercado de Boa Viagem (onde fui muitas vezes com minha mãe e avó), da Boa Vista (que dizem, por volta do século XIX foi também mercado de escravos), de São José (o mais tradicional), da Madalena (da famosa Galinha à Cabidela), de Casa Amarela (cujo Largo entre o prédio principal e o cemitério abriga uma grande feira livre) e  o da Encruzilhada (com seu famoso bolinho de bacalhau).

E então, vai ao mercado hoje?

 Um deles está aí, bem Perto de Você!

(Taciana Valença)

* Texto produzido para o jornal Folha Cultural, do jornalista Cássio Cavalcante

 

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